Vida na Itália: primeiras impressões

Após três anos e meio difíceis na fria (em todos os sentidos) República Tcheca, empacotamos as nossas coisas, colocamos numa van e nos mudamos para Milão, no norte da Itália. Nesses 6 meses em que estamos aqui já deu pra ter uma breve noção de como as coisas funcionam na terra da bota e é sobre isso que eu quero falar aqui nesse post.

Vou falar sobre os aspectos mais gerais e começando pelas coisas boas. O que não é tão bom a gente sempre pode deixar pra depois. Boralá?

Os italianos

Quero começar falando dessa gente que ganhou meu coração. Sim, eu tenho adorado os italianos e acho que o melhor desse país são as pessoas. Ao contrário da República Tcheca onde eu convivia só com brasileiros, aqui eu convivo só com italianos. Não foi proposital mas eu gosto que tem sido assim pois me ajuda a aprender a língua mais rápido e a me inserir na cultura local.

Eles são muito receptivos, gostam de conversar e são muito disponíveis para ajudar, especialmente com a língua. É uma delícia sair na rua e interagir com eles e se você tem criança e cachorro, como é o nosso caso, é bate-papo na certa. Ao sair na rua eu não sinto medo, vergonha, insegurança, pelo contrário me sinto acolhida, aceita. Nunca achei que eu pudesse me sentir bem vivendo fora do Brasil mas a minha experiência aqui tem me mostrado que eu estava errada. 🙂

A comida

Eu nem precisaria fazer esse tópico porque todo mundo sabe que a Itália é sinonimo de comida boa mas eu vou falar porque eu ainda estou boquiaberta com a comida aqui. Sério, que paraíso para quem gosta de comer bem! Isso porque eu ainda não fui pra região da Sicília que é o lugar onde os italianos dizem que tem a melhor comida da Itália.

O mais legal é que a maioria dos pratos italianos são simples, feitos com poucos ingredientes e grande segredo está justamente na qualidade desses ingredientes e no modo de preparo. Aqui a gente encontra uma grande variedade de frutas, verduras e legumes e eles são muito saborosos. Dá gosto ir ao mercado, às feiras ou parar em qualquer restaurante de esquina. Você sempre vai encontrar comida fresca e saborosa.

O clima

Eu sou do time do calor mas consigo lidar com o frio desde que ele não seja exagerado e que os dias sejam ensolarados. É exatamente isso que eu tenho encontrado aqui. O calor é calorão mesmo, bem parecido com o Brasil. Já o outono é bem fresco e o inverno é frio na medida certa para mim, com dias repletos de sol. Eu tenho aproveitado muito mais os dias de inverno aqui e não tenho me sentido deprimida como aconteceu nos últimos anos. Mais um ponto positivo pra Itália. 🙂

A língua

A língua italiana faz parte da mesma família linguística do português então é uma língua fácil de aprender para nós, brasileiros. Além disso, eu sempre fui ligada na cultura italiana, vi muitos filmes e sempre ouvi a música feita aqui então pra mim foi bem mais fácil pra começar a falar. Com dois meses eu já estava conseguindo me comunicar e isso foi uma grande coisa pra mim que passei mais de três anos na República Tcheca e não conseguia pedir um café num bar da esquina. É motivador viver num lugar onde você consegue compreender o que está acontecendo ao seu redor. Não há limites, você pode sair na rua e fazer o que quiser. Eu adoro! ❤

Milão

Milão é a segunda maior cidade da Itália e a capital financeira do país. É aqui onde os negócios e as oportunidades acontecem o que quer dizer que é uma cidade repleta de coisas legais para fazer. Shows, museus, cursos, gente muito bem vestida, tem sempre uma coisinha pra ver aonde você está. Pra mim é a cidade ideal. Eu nasci e cresci numa cidade muito pequena no interior do Paraná, onde não tinha nada pra fazer, então eu gosto muito de cidades grandes. É claro que tem poluição, barulho e é mais perigosa que as cidades pequenas mas pra mim o bônus compensa o ônus.

A burocracia

Lembra que eu falei ali em cima que a parte ruim fica por último? Pois é! Viver na Itália tem sido bom mas nada é perfeito. É um país com muita burocracia e tudo demora bastante para ser resolvido. Pra vocês terem uma ideia, quando chegamos aqui ficamos duas semanas sem gás em casa, não dava pra tomar banho quente e muito menos cozinhar. A minha entrevista de visto, por exemplo, só aconteceu agora em Janeiro, depois de 6 meses que eu entrei no país. Durante todo esse tempo eu estou “pendurada”, ou seja, não estou ilegal mas também não tenho residência e não posso trabalhar, ter conta em banco e nem acessar ao sistema de saúde público. Fora as outras coisas como o cartão de saúde da Tereza que nunca chega (e olha que já refizemos o pedido duas vezes). Esse é o principal ponto negativo da Itália pra mim mas pelo menos (para servir de consolo) os italianos dizem que é assim pra todo mundo então a gente se esforça pra não levar nada para o lado pessoal e continua focando no lado positivo!

Essa foto foi tirada na fronteira da Áustria com a Itália no dia da nossa mudança. Foi a única que conseguimos fazer porque foi uma loucura: resolvemos várias pendências no dia anterior, terminamos de empacotar as nossas coisas, carregamos a Van e dormimos por apenas três horas porque viajamos o dia inteiro para chegar em Milão a tempo de assinar o contrato e pegar as chaves do nosso apartamento. Estávamos estressados, cansados mas felizes.

São apenas 6 meses aqui e meu coração está tranquilo e feliz. Nunca achei que eu pudesse encontrar um lugar fora do Brasil que eu pudesse chamar de lar mas eu estava enganada. Milão me conquistou e eu poderia viver aqui para sempre! ❤

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